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Escolha Inconsciente

Foto do escritor: CMSLT
CMSLT
8 de ago.
4 min de leitura

Ensaio de 27/07/2026

Neste primeiro artigo eu tratarei do tema “escolha inconsciente”. O motivo é a enorme quantidade de pessoas em tal condição, agindo sem pensar. Não encontramos placas, artigos de jornais, nem ensaios que versem diretamente sobre o tema, mas vivenciamos uma enorme quantidade de pessoas sofrendo as suas consequências.


Distúrbios mentais cresceram acima de 95% em 33 anos (avaliação de 2023), conforme publicação do The Lancet volume 407 (fonte 1).


Os principais distúrbios envolvem ansiedade e depressão, os quais envolvem distorções profundas nos mecanismos de inconscientes de processamento e escolha (fonte 2), levando à repetição de padrões negativos, que sustentam e aprofundam os distúrbios - de maneira simplificada e esquemática nossas escolhas inconscientes sobre temas que nos prejudicam são indícios de que deveríamos sair de tal padrão, passando a analisar melhor o motivo de nossas decisões.


Algo muito comum de se encontrar é alguém afirmando com toda a convicção de que suas escolhas foram realmente suas que o seu gosto ou reflexão o fizeram chegar a tal escolha. No entanto uma escravidão mental os impede de enxergar a realidade (de onde copiaram suas escolhas). Isso se torna mais simples de se detectar quando se fala de uma área em que se tem experiência, então se observa claramente esse ”engolir” de escolhas e ideias.

A moda, relativo à escolha de roupas e acessórios, é um exemplo que pode ser tão mais claro quanto melhor conhecermos a pessoa que fez que fez a escolha. Antes que a indústria passe a fabricar somente um tipo de vestimenta, muitas e muitas pessoas abrem mão do seu gosto e dos seus valores, para engolir a próxima idéia de vestimenta, ainda que ela envolva pendurar seus traseiros por um fino pedaço de tecido, por vezes reforçado com costuras, que imagino potencializar a lembrança de onde ele está ou por onde ele vai. Sim eu falo do fio dental que em nada serve para a saúde odontológica.

Quando a escolha é consciente não há confusão, e convivemos com as consequências com menor sofrimento, ou ao menos entendendo claramente as suas causas. Do contrário ao se engolir uma ideia viveremos as consequências sem entender as causas. E isso frequentemente repetido pode te levar a loucura: antes de uma descompensação completa, antes de saíres da casinha, deves apresentar sinais como neuroses, fixações e cristalizações que dificultarão a tua vida e te farão infeliz e confuso.

A escolha inconsciente, gerando consequências indesejadas, pode nos levar a:

A) Justificar para os demais nossas más escolhas, mesmo que não tenhamos mais convicção sobre elas

B) querer “normalizar” os efeitos negativos ou tornar a nossa escolha “o padrão” para os demais

C) criar “movimentos” que defendam nossas ideias, buscando objetivos de “mudar o mundo”

D) nos sentirmos indignados com alguém que questione a coerência de nossas explicações e justificativas (de nossas escolhas)


Entre os fatores que estimulam ou podem nos manter agindo sem pensar, que estão para  além de nossa decisão pessoal pela aparente segurança e conforto, temos:


  • culturalmente: musicas, peças de teatro, cinema, livros etc

  • TV: aberta, netflix…

  • Ensino (e falta dele)


O consumo desenfreado ou ingênuo das fontes acima tende a prejudicar a aprendizagem, a filtragem de informação confiável e o aprofundamento do pensamento, que permitiria: refletir sobre as intenções e objetivos de tais conteúdos, tratando-os com maior cautela e avaliando-os com maior critério.


A repetição do não pensar, no sentido de adotar as escolhas de outros, parece tender a criar um ciclo vicioso onde cada vez mais agimos sem reflexão suficiente. À medida que tal escolha pela „não escolha „ aumenta em volume, um grande problema psicológico de torna mais e mais provável: confusões se empilham à medida que nos esquecemos porquê nossas decisões foram tomadas, e podemos chegar à uma percepção de vazio medonho.

Seguindo em frente sem quebrar o ciclo acabamos nos deparando com depressão e irritabilidade, cansaço que não passa por mais que fisicamente descansemos, decrescente auto-estima que não encontra um fundo e quem sabe desorientação que já não permite nem lembrar quando ela chegou.

Que situação miserável o homem pode chegar, ainda que cada escolha infeliz não tenha se destacado como especialmente ruim…

Mas o poço tem sempre um fundo e a repetição de erros e a estagnação da vida devem ao menos sugerir alguns sinais, que uma vez reconhecidos nos permitem começar a trilhar o caminho de volta, retomando nossas potencialidades, nossa responsabilidade plena por nossas escolhas. E assim podemos começar a limpar o terreno da forma que for possivel com as ferramentas que tivermos. Lento, cansativo, quem sabe pouco eficaz, mas como decisão própria do indivíduo que até há pouco não sabia mais que poderia decidir, ou que isso era tão importante a ele, se traduz em claro sinal de esperança.







Fontes:


Estatísticas de doenças mentais:

  1. Santomauro D, Miller P, Shadid J et al.


    Updated trends in the global prevalence and burden of mental disorders, 1990–2023: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2023


    The Lancet, 407, 2040-2064


  1. Attenuation of value-to-evidence translation drives biased decision making in anxiety and depression

Mrugsen Nagsen Gopnarayan, Feng Sheng, Michael LouisPlatt, Arjun Ramakrishnan

bioRxiv 2026.06.09.731091; doi:https://doi.org/10.64898/2026.06.09.731091

 
 
 

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